Antes de tudo é importante dizer
que a mobilização popular sempre foi, é, e sempre será uma alternativa concreta em
favor da causa defendida, e temos a clareza que quando ela é construída democraticamente em conjunto com setores populares, combativos e compromissados com as transformações
sociais, as bandeiras são hasteadas no topo mais alto. Portanto, o exercício racional da unidade da classe trabalhadora é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Que pese os apelos por mais
moradia especificamente no DF, o Movimento
Copa Pra Quem? se apropria equivocadamente de um tema de interesse de milhares
de trabalhadores e filhos de trabalhadores que tem no futebol, o seu mais
importante lazer, ao lado das suas paixões, quando
não, o seu próprio emprego direto ou indireto, para equivocadamente reduzirem o
tema ao nível secundário diante de assuntos igualmente importantes como da própria
moradia, da saúde, da educação e do emprego, como se o futebol não fosse fonte
geradora de emprego e renda para milhares de famílias, evidenciando de cara a
miopia inicial do Movimento.
Outra questão que deve ser
considerada, é que aqui no Distrito Federal, o atual governo Agnelo herdou uma
máquina estatal falida e lapidada pela lógica neoliberal apoiada no rorizismo e
no arrudismo, tendo assumido em um período de crise institucional nunca antes
visto, sob a ameaça de intervenção federal.
O novo governo, além da árdua
tarefa inicial de reorganizar a máquina administrativa do que sobrou de anos de descaso, medida primeira
de um gestor sério, foi vítima de uma forte campanha de difamação que buscou
nos primeiros anos colar a sua imagem aos mesmos grupos econômicos que
saquearam os cofres públicos. Esta campanha contou com a colaboração direta da revista
Veja, da Rede Globo, do Jornal de Brasília e etc.
Ao final da segunda batalha com
a sua imagem detonada pela campanha difamatória pelos setores atrasados da política local, Agnelo
conseguiu provar a sua inocência no mesmo instante que colocava o DF no eixo
das principais ações do governo Lula/Dilma como o programa Minha Casa Minha Vida ignorado
pelos seus antecessores irresponsáveis; reforma e construção de escolas; construção de centros
olímpicos; construção e reforma de centros e postos de saúde; concursos públicos para contratação de médicos, enfermeiros e técnicos da saúde; conclusão de várias
obras inacabadas; ampliação do fomento e produção da cultura local;
consolidação das eleições diretas para diretores de escolas e do Conselho
de Juventude; resgate da TCB; intervenção no Grupo Amaral; reestruturação do transporte público e etc.
| Equipe profissional do Ceilandense, treinando em companhia de cavalos, retratando o nível de "profissionalização" do futebol local. |
Por último e voltando para o
tema central “provocado” pelo movimento Copa
Pra Quem? aqui no DF, este perde uma grande oportunidade de fazer importante
campanha de reflexão e pressão ao lado de torcedores e de outros movimentos populares que
ultrapassaram a barreira míope de uma vida estritamente mecanicista pela melhoria do esporte
mais popular, pautando discussões como piso salarial de jogadores e comissões técnicas, profissionalização da arbitragem; preços
mais populares dos ingressos; alternativa de melhores dias e horários para a realização dos jogos; acessibilidade e mobilidade em dias de jogos; campeonatos mais
atrativos e democráticos; segurança; capacitação obrigatória de dirigentes; transparências
nas gestões; centros de treinamento; categorias de base, estádios com melhores estruturas para o conforto da grande maioria de trabalhadores e familiares que frequentam os estádios; entre outros assuntos relacionados a este importante setor econômico, apesar de no meio do pacotaço de intenções do movimento Copa Pra Quem?, levantar bandeiras históricas em defesa da melhoria de vida da grande maioria, mas que infelizmente se apresenta, na atual conjuntura política local, como um ataque aos avanços do governo dos próprios trabalhadores que vem travando uma luta pela reconstrução da nossa unidade federativa, e de quebra, fortalecendo os históricos setores reacionários, nos fazendo valer daquela velha máxima de que nem tudo que reluz é ouro.
